Boa noite Calma

por Rodrigo Martins

É quase outro dia quando o sono chega. O quarto calmo e silencioso abre espaço para uma solidão inesperada todas as noites. Deitada no canto da cama a vida parece mais longa, os minutos, acostumados aos sessentas segundos, agora demoram uma eternidade.

A noite vem com seus sons, suas marcas do delírio afogado numa inquietante vontade de gritar. Cada passo que não existe, cada música não ouvida. O som do silêncio enche o espaço físico. O espaço fica maior. Cada vez mais. Até os olhos caírem de cansaço.

O relógio parou. Corpo e alma ficam estáveis. Calma, acalma o espírito. Acostumada pelos vícios o remédio perdeu o gosto. Enquanto dorme sonha pesadelos de bulas. Sonha com a cama vazia; sonha com a cama cheia de “era Calma e ele”.

E sem esperar, Calma é despertada pelo despertador gritante das sete horas. “Bom dia” do outro lado das pilhas. E, calma, acorda pensando “vamos com calma Calma.”

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