Raul RamosO cinema francês atual possui muito mais recursos se comparado ao auge da Nouvelle Vague nos 60/70, onde diretores como Godard, Truffaut, Resnais e Rohmer produziam filmes com total “liberdade criativa”; sem levar em conta linearidade narrativa ou uma montagem padronizada , objetos que vinham sendo utilizados desde o início do século XX na Europa e ainda mais massificados em Hollywood.
Toda essa turma, mais o cinema novo de Glauber Rocha, inspiraram uma das épocas mais brilhantes do cinema, os anos 70 com Penn, Coppola, Scorsese, Friedkin e outros, que conseguiram levar toda essa liberdade de criação/produção para o até então fechado sistema cinematográfico estadounidense.
Depois de assistir alguns longas do diretor Christophe Honoré (Les Chansons D’amour, Dans Paris e Ma Mere), percebi que a Nouvelle Vague desse século (final do passado) tomou um rumo diferente do que a trupe de Godard realizava. Honoré é um dos únicos diretores na atualidade do país de Sarkozi e Bruni que ousam arriscar com um roteiro na mão. Porém, seus filmes carregam pouca (ou quase nenhuma) transição de planos de imagem, deixando o espectador excessivamente confortável, mesmo a trama, os acontecimentos e diálogos sendo extremamente brilhantes; nisso o diretor precisa ser imensamente creditado.
O oposto de Honoré e uma outra expoente do cinema franco-europeu. Cécile Telerman, diretora de Quelque Chose à te Dire (Algo Que Você Precisa Saber) conduz muito bem toda a filmagem do longa (que possui uma fotografia excelente), conseguindo prender em uma única seqüência quase todos os protagonistas em questão de segundos, com ângulos totalmente opostos, e ainda assim manter a coerência. Em Quelque Chose à te Dire, Telerman tinha tudo para construir um filme-referência, mas acabou caminhando para um final hiper padronizado, pra não dizer óbvio; Quem assiste é capaz de adivinhar algumas cenas seguintes facilmente, até duvidando de que realmente vá acontecer aquilo, de tão notável que parece.
Enquanto Hollywood encontrou sua ala não comercial atual com Tarantino, Reitman, Irmãos Cohen, Scorsese, entre outros; a França parece ter perdido a plenitude de seus Godards, Truffauts e Rohmers.




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