Nouvelle Vague e os anos 2000

Raul Ramos

O cinema francês atual possui muito mais recursos se comparado ao auge da Nouvelle Vague nos 60/70, onde diretores como Godard, Truffaut, Resnais e Rohmer produziam filmes com total “liberdade criativa”; sem levar em conta linearidade narrativa ou uma montagem padronizada , objetos que vinham sendo utilizados desde o início do século XX na Europa e ainda mais massificados em Hollywood.

Cena de Alphaville, 1965, dirigico por Jean-Luc Godard

Toda essa turma, mais o cinema novo de Glauber Rocha, inspiraram uma das épocas mais brilhantes do cinema, os anos 70 com Penn, Coppola, Scorsese, Friedkin e outros, que conseguiram levar toda essa liberdade de criação/produção para o até então fechado sistema cinematográfico estadounidense.

Depois de assistir alguns longas do diretor Christophe Honoré (Les Chansons D’amour, Dans Paris e Ma Mere), percebi que a Nouvelle Vague desse século (final do passado) tomou um rumo diferente do que a trupe de Godard realizava. Honoré é um dos únicos diretores na atualidade do país de Sarkozi e Bruni que ousam arriscar com um roteiro na mão. Porém, seus filmes carregam pouca (ou quase nenhuma) transição de planos de imagem, deixando o espectador excessivamente confortável, mesmo a trama, os acontecimentos e diálogos sendo extremamente brilhantes; nisso o diretor precisa ser imensamente creditado.

O trio de protagonistas em Les Chansons D'amour

O oposto de Honoré e uma outra expoente do cinema franco-europeu. Cécile Telerman, diretora de Quelque Chose à te Dire (Algo Que Você Precisa Saber) conduz muito bem toda a filmagem do longa (que possui uma fotografia excelente), conseguindo prender em uma única seqüência quase todos os protagonistas em questão de segundos, com ângulos totalmente opostos, e ainda assim manter a coerência. Em Quelque Chose à te Dire, Telerman tinha tudo para construir um filme-referência, mas acabou caminhando para um final hiper padronizado, pra não dizer óbvio; Quem assiste é capaz de adivinhar algumas cenas seguintes facilmente, até duvidando de que realmente vá acontecer aquilo, de tão notável que parece.

Quelque Chose à te Dire, 2009

Enquanto Hollywood encontrou sua ala não comercial atual com Tarantino, Reitman, Irmãos Cohen, Scorsese, entre outros; a França parece ter perdido a plenitude de seus Godards, Truffauts e Rohmers.

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