The Killers contra o tráfico humano de exploração sexual

Raul Ramos
No último dia 21, o grupo estadounidense The Killers desembarcou no Brasil para uma apresentação única em São Paulo; considerado pela imprensa mundial como os "sucessores do U2", os rapazes de Las Vegas estão em turne de divulgação do seu último álbum, Day & Age.

O vocalista Brandon Flowers deu uma breve entrevista ao Café por telefone e contou sobre sua infancia influenciada por vampiros e de como seu grupo nunca será a melhor banda do mundo. Com vocês, Brandon Flowers.


Depois do álbum de estréia do The Killers “Hot Fuss” você declarou em algumas entrevistas que sentiu extremamente confiante, no segundo disco disse que saiu um som “humilhado”. O que passa pela sua cabeça agora depois do lançamento do “Day & Age”?
- Estou assustado (risos), porque as pessoas dizem que eu deveria me sentir confortável, e eu ainda não cheguei nesse ponto com o disco, não estou confortável ainda. Acho que é o que minha mãe sempre me disse (o que certamente não é o que você quer ouvir de sua mãe quando é pequeno), ela nunca me disse após eu perder uma partida de futebol: “Você vai fazer melhor da próxima vez”, ela sempre dizia: “Sempre irá existir alguém melhor”.

E quem hoje você acha que sua mãe classificaria como melhor que o The Killers?
- Sempre teremos alguém na frente, acho que hoje o Day & Age perde para o Viva La Vida do Coldplay e o single Sex On Fire do Kings Of Leon, se não fossem eles estaríamos no topo do mundo (risos).

Nesses últimos meses Paul Banks do Interpol e Julian Casablancas do Strokes lançaram álbuns solos, você chega a considerar essa hipótese?
- Quando as coisas não vem realmente bem na banda eu penso. Mas ainda não tenho argumentos suficientes para isso.

E como seria a sonoridade de um álbum solo de Brandon Flowers?
- Impressionante.

Poderia ser um pouco mais especifico?
- Me aventuraria um pouco mais.

Suas letras parecem ter muita influencia da cidade de Las Vegas, com aquele clima antigo e tudo mais, incluindo também os problemas.
- Tenho esse problema de romantizar um pouco as coisas. Vivo com os fantasmas do Elvis e do Frank Sinatra, e isso parece muito glamuroso. São homens americanos que não existem mais. Porém existe o lado negativo das coisas em Vegas, vou a uma escola e ouço garotas falando sobre qual clube de strip que pretendem trabalhar, isso é uma das coisas tristes de Vegas.

Uma de suas músicas foi escolhida para um anuncio contra o trafico humano de exploração sexual. Essas experiências em Las Vegas fizeram você se unir a esta causa?
- Eu não estou levando essa causa sozinho, isso precisa ser levantado. Mas nós somos definitivamente contra o tráfico humano de exploração sexual.

Isso parece ser uma declaração inédita vinda de um integrante do grupo, já que nenhum de vocês ingressam em ativismos.
- Ah sim, pode colocar na capa: The Killers são contra o tráfico humano de exploração sexual.

Compôs "A White Demon Love Song” para o filme "Crepúsculo: Lua Nova". O que você acha dessa nova mania sobre vampiros?
- Sempre me atraiu o tema sobre vampiros. Eu devo ter me vestido de vampiro uns quatro ou cinco anos seguidos no Halloween quando era criança. Tivemos 12 ou 13 entrevistas antes de realmente decidir sobre a musica, quando o filme saiu sobre este tema e fiquei fascinado, então eu acho que é um tema que nunca vai desaparecer completamente.

Qual é a relação entre música e imagens? Você consegue imaginar a música primeiro e depois as letras ou vem tudo junto?
- Cada canção é diferente. Algumas vezes a letra provoca a música e outas vezes a letra é a última parte de uma canção.

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