Especial Quentin Tarantino

Leonildo Trombela Junior

Kill Bill Vol.2
2004


“Ela merece a vingança e nós merecemos morrer.”

A fala do personagem Budd ‘Sidewinder’ interpretado por Michael Madsen em uma conversa com Bill (David Carradine) resume bem do que se trata o segundo volume do filme. Claro que como uma obra “tarantinesca”, jamais se chegaria ao óbvio tão rapidamente ou de modo previsível. Existem as preliminares.

O que maravilha no filme é como ela chega ao objetivo, como se tornou a “Black Mamba”, nome esse que por sinal vem de uma cobra homônima, cuja descrição no site da National Geographic é:
“Black Mambas são rápidas, nervosas, letalmente venenosas, e quando ameaçadas, altamente agressivas. Elas têm sido responsabilizadas por inúmeras mortes. Mitos africanos dão proporções lendárias a essa serpente. Por estas razões, a mamba preta é considerada a cobra mais mortal do mundo.”

De uma moça semi-ingênua, Beatrix se tornou, graças ao treinamento do Pai Mei, uma autêntica Black Mamba. Aprendeu a dar um soco de uma polegada mortal, que a fez comer o arroz que o sensei amassou para aprender, mas valeu a pena. Ajudou-a sair do momento mais claustrofóbico da história. Afora isso, o indefectível Mei tornou-a uma máquina marcial de matar.

Dotado de elementos de filmes e seriados de kung fu dos anos 70, o filme usa e abusa do formato, seja na música, nos figurinos (a Uma Thurman naquele colante é puro ouro).

O filme só peca um pouco no momento mais esperado da série, que é justamente o reencontro dela com seu algoz. Apesar de Bill ter feito a melhor reflexão de todos os tempos sobre o Clark Kent (sério, quem ia pensar naquilo? O cara foi mestre total), poderia ter sido melhor.

No balanço geral, Kill Bill vol.2 é um ótimo filme que deve ser assistido por qualquer um que goste de um bom cinema. O fim do filme é genial, acaba numa crise de choro misturada com uma euforia extasiante, seguida de um alívio.

Loucuras que só podem vir do Quentin Tarantino, e mais ninguém.



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