Kill Bill + Shrek + O Senhor dos Anéis = Alice, 2010

Raul Ramos

No último dia de feriado prolongado, após ter visto a excelente produção irlandesa, Apenas Uma Vez e ao provocador espanhol, Mar Adentro; resolvi ir assistir ao tão divulgado novo trabalho de Tim Burton, Alice no País das Maravilhas.

Mesmo entrando com uma expectativa não tão grande no cinema pelos últimos trabalhos de Burton, ainda acreditava que o diretor de Edward, Mãos de Tesoura, pudesse dar uma reviravolta com a nova adaptação-remake do livro de Lewis Carrol. Saí da sala ainda mais desiludido.


Alice passa a impressão de ser uma grande emenda de vários filmes e situações que conforme vão se passando os minutos fica cada vez mais distante de toda analogia existente no romance. A pequena garota (que já não é tão pequena assim) volta ao País das Maravilhas ao melhor estilo Beatrix Kiddo em Kill Bill, procurando uma espada para matar seu inimigo; mas antes é jogada, sem nenhum contexto, entre os diversos personagens da história, parecendo um Shrek menos conservador.

Por final, nossa nova versão guerreira de Alice, encarna em uma modo mais estilizado de Frodo e como em O Senhor dos Anéis, é a escolhida para destruir o mal do mundo subterrâneo (e até usa uma armadura para isso).



Sem saudosismo ou aquela velha história de que as versões antigas sempre são melhores, mas a Alice de 2010 me pareceu muito mais uma versão adolescente-comercial, fruto dessa guerra entre os estúdios para ver quem lança o próximo filme 3D primeiro. Ainda prefiro a Alice de Carrol e o Burton de Edward.

Los Ciegos @ Festcom


A Los Ciegos se apresentou ontem no Festcom e nós guardamos um pouquinho para quem não pode acompanhar!



Show Los Ciegos











Café & Imagem

Rodrigo Martins

Iniciamos com esta postagem mais uma editoria do Café. São fotos tiradas em Ribeirão Preto e região com a única finalidade de promover fotos diferentes, de lugares e situações diferentes, observadas pelos narradores do Café C/ Ribeirão.

Fotos de Rodrigo Martins tiradas no cemitério de Jurucê - SP em 2010:


Fotos de Rodrigo Martins tiradas na região de Jurucê. Lá se escondem riachos e áreas verdes hoje tão esquecidas pela rotina da vida urbana.

A cada semana fotos novas vão fazer parte do dia a dia do Café. Espero que gostem e quem sabe possam também participar. Qualquer sugestão estamos na área!

Reatech 2010 - O Café viu de perto

O Café c/ Ribeirão participou no último sábado, 17/04, da IX Reatech - Feira Internacional de Tecnologias em Reabilitação, Inclusão e Acessibilidade, que foi realizada entre os dias 15 e 18 de Abril no Centro de Exposições Imigrantes em São Paulo.

Foto: Rodrigo Martins Apresentação de dança durante a Reatech

Nossa visita faz parte da elaboração de um documentário sobre a relação das pessoas que tiveram membros superiores amputados com a sociedade. Lá, fomos recebidos e acolhidos pelo Sr. Flavio Peralta, fundador do site Amputados Vencedores.

Foto: Rodrigo MartinsFlavio Peralta teve os dois braços amputados em 1997, em decorrência de um acidente de trabalho. Ele sofreu um choque de 13.800V quando prestava manutenção em um poste de alta tensão.

Diferente de se conformar com a situação, Flavio assumiu todas as responsabilidades de superação e hoje ajuda várias pessoas pelo seu site, palestras e mais recentemente com o lançamento do livro “Amputados Vencedores – porque a vida continua...”.

Foto: Luciane Gregório
Rodrigo Martins, Isete Corrêa, Flavio e Jane Peralta

Fomos recebidos de coração aberto por toda a família Peralta e também pelo casal Isete e Jeferson. Isete é secretária de um escritório de advocacia e cultiva a dança do ventre como inclusão. Ela teve o braço esquerdo amputado em um tratamento médico. Com um sorriso enorme no rosto contou um pouco de sua história, mas que por enquanto vai ficar guardada conosco até a finalização do documentário.

Foto: Rodrigo Martins A dançarina Isete Corrêa antes de sua apresentação

Participar da Reatech foi curioso e gratificante. Percebemos que a deficiência não é um problema, mas, uma solução para quebrar as barreiras do preconceito e da discriminação.

Nosso agradecimento fica em especial aqui para Flavio Peralta, Jane, Jeferson, Isete, a família Marta João pela recepção, à Associação dos Pintores com a Boca e os Pés, Eduardo Soares, Raquel Tardelli, Dayse Anne e todos aqueles que estão ao nosso lado, mostrando a simplicidade para uma vida feliz. Em breve algumas imagens feitas por Raul Ramos estarão disponíveis. Acompanhe-nos.

por Rodrigo Martins

Com o Toque da Lata no Café

Rodrigo Martins - texto e fotos
Raul Ramos - imagens

Ação social pela música, é o que pretende Deva Mille e sua família, e outros 30 adolescentes talentosos, com muito mais experiência de vida que alguns políticos existentes por aí.

O Toque da Lata é um projeto musical instituído pelo professor Marcio Coelho e pelo músico Deva Mille e família. Foram acolhidos pelo Templo da Cidadania, por meio da Ong do Cineclube Cauim, e vem, desde 1996, desenvolvendo um trabalho com jovens "carentes de apoio político".

Os alunos mostram a paixão pelo que fazem, cantam e tocam com sorriso nos rostos, jogando capoeira e improvisando passos de acordo ao compasso das canções. São garotas e garotos unidos pela magia da música, pela educação cultural e pelo desenvolvimento de um espírito crítico, independente da classe social. As aulas teóricas são realizadas aos sábados e os ensaios às 10h30, no Templo da Cidadania, Rua Conde Afonso Celso nº333.

Em breve vamos divulgar a matéria completa, a entrevista com o músico Deva Mille e outras imagens, tudo na revista digital do Centro Universitário Barão de Mauá e por aqui, no Café com Ribeirão. Por enquanto experimente um pouco do Toque da Lata com o vídeo abaixo, gravado no último sábado, dia 10/04/2010.

Anna Muylaert

Raul Ramos

O Café entrevistou a premiada diretora e roteirista Anna Muylaert. Anna é formada em Cinema pela ECA-USP, em seu primeiro longa, Durval Discos (2005), recebeu o prêmio de Melhor Filme, Melhor Roteiro e Melhor Direção no 30º Festival de Cinema de Gramado, um dos festivais mais prestigiados da América Latina.

Anna também já dirigiu curta-metragens e videoclipes de Chico César, além de participar da criação dos programas Mundo Da Lua (1991, TV Cultura) e Castelo RaTimBum (1995, TV Cultura); foi co-roteirista da série Filhos do Carnaval (HBO) e do filme O Ano Em Que Meus Pais Saíram de Férias, as duas produções dirigidas por Cão Hambúrguer.

Hoje Anna desenvolve o projeto do seu próximo longa-metragem Que Horas Ela Volta?, e conversou com o Café sobre as diferenças de trabalhar em TV e Cinema, e como enxerga o atual momento cinematográfico nacional e internacional.

Café Com Ribeirão: Qual a principal diferença entre trabalhar na produção de um programa de TV e em um longa-metragem?

Anna Muylaert:
Na TV sempre tem estrutura por trás, seja grande ou pequena. No cinema você tem que inventar a sua estrutura. Na parte artística também é bem diferente. TV você sempre tem briefings fechados, tem um cliente, no cinema tem mais liberdade e também mais ambição artística.


Café: Prefere escrever roteiros ou dirigir filmes?

Anna:
Gosto de alternar por que dirigir é cansativo e escrever também. Então descanso de uma coisa fazendo a outra, por que são de naturezas muito diferentes. Quando escrevo estou em casa, próxima dos meus filhos, mas frito o cérebro – dirigir você vai pra rua, é uma coisa mais física, envolve coragem quase física.


Café: Em Durval Discos percebemos que além do conflito de gerações, existe toda uma ligação com a cena mais tropicalista de são Paulo; você já possuía essa ligação?

Anna:
Sim, eu sempre gostei da fase da MPB, desde criança.

Café: E a experiência de filmar planos do Durval Discos em steadycam, já existia esse interesse quando pensou no longa?

Anna:
Sim, desde a ECA sempre gostei de planos sequências e aquela abertura existiu desde o primeiro roteiro.


Café: Após a premiação do Festival de Gramado ficou mais fácil conseguir financiar algum projeto seu?

Anna:
Talvez um pouco, mas é sempre difícil. O que conta no mundo do cinema é a carreira como um todo.


Café: Acredita que o cinema está caminhando para um rumo mais comercial do que artístico? Ou ainda podemos encontrar diretores que tenham espaço e independência como Scorsese, Tarantino, Coppola, Reitman, Burton, e outros exemplos que conseguiram driblar a indústria como a Nouvelle Vague, Nova Hollywood ou o Cinema Novo de Glauber Rocha.

Anna:
Como disse Glauber, o caminho são todos os caminhos. Acho que existe os dois tipos e sempre vai existir. Um tipo de pessoa consome uma coisa e outro tipo outra.

Café: Em quais diretores você aposta como grandes expoentes no cenário do cinema nacional?

Anna: Gosto muito do cinema do Nordeste, Ceará e Pernambuco. Gosto do Karim Ainouz, Claudio Assis, Lirio Ferreira, Kleber Mendonça Filho, Marcelo Gomes. Acho que eles fazem um cinema consistente e de alto nivel. Em são paulo tem uma dupla que vai fazer seu primeiro longa agora, Juliana Rojas e Marco Dutra que são muito talentosos.


Café: Quais eram seus modelos de diretores/roteiristas quando ingressou na ECA-USP?

Anna: A gente gostava do cinema de arte, Glauber, Godard, Wim Wenders...


Café: A vitória de uma diretora no Oscar pode ser a médio/longo prazo um sinal positivo dentro de uma indústria historicamente 'machista'?

Anna: Talvez. Vamos ver. Acho que compete mais a própria competência , talento e foco das diretoras.